17 de setembro de 2026
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Maioria das organizações de mulheres está no Nordeste

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Maioria das organizações de mulheres está no Nordeste

O Nordeste a regio do pas com maior concentrao de grupos, que atuam no campo do ativismo feminista, liderados por mulheres cis, trans e outras transidentidades. A concluso da pesquisa Ativismos Feministas e Filantropia Transformativa Po?s-Pandemia, levantamento indito coordenado pelo ELAS+ Doar para Transformar. O documento revela que 35% das organizaes pesquisadas est em atuao no Nordeste brasileiro. O Sudeste aparece em segundo lugar, com 34%, seguido do Norte com 11%. A regio Sul aparece em quarto lugar, concentrando 9% das iniciativas, e o Centro-Oeste est em ltimo, com 6% dos registros.

Para a diretora de Programas do Instituto Ibirapitanga, Iara Rolnik, esses dados revelam um movimento importante de ser observado pela filantropia. “O maior nmero de organizaes no Nordeste um dado que a gente tem que olhar com muito carinho. Isso, historicamente, uma inverso da concentrao das organizaes no Sudeste. Tanto do ponto de vista do financiamento como do ativismo, um momento de inverso que precisamos olhar de forma muito atenta”, avaliou a especialista.

O levantamento constatou tambm que os territrios de atuao dessas iniciativas so muito abrangentes. De acordo com a pesquisa, 73% dos grupos atuam em periferias urbanas, mas no de maneira isolada. Eles tm abrangncia tambm nos centros urbanos, que aparece como local de atuao de 49% das organizaes. Zonas rurais e territrios quilombolas tambm so citados.

Iara Rolnik, que participou do seminrio de lanamento da pesquisa, destaca o que chama de multiterritorialidade das organizaes. “Os dados mostram que os grupos e organizaes no ficam limitadas a apenas um territrio. Isso importante para entender a estrutura dessas organizaes e para pensar nessa multiterritorialidade j no comeo da atuao”, avaliou a especialista.

Perfil

A pesquisa foi realizada com 441 grupos que se inscreveram para participar do edital Mulheres em Movimento 2023, organizado pelo ELAS+, e autorizaram a anlise dos dados. O levantamento investigou o perfil das organizaes e revelou que a grande maioria, 80%, liderada por mulheres negras. Pessoas LBTIs aparecem como lideranas em 52% dos grupos. Pessoas com deficincia (PCD) esto frente de 12% das organizaes e mulheres indgenas lideram 10% das iniciativas pesquisadas.

Para a idealizadora e diretora-geral do ELAS+, Amalia Fischer, a pesquisa demonstra a interseccionalidade na prtica, j que a maioria dos grupos composta por dois ou mais tipos de perfis analisados. “A gente consegue perceber como os movimentos liderados por mulheres integram uma gama muita diversa de perfis, marcados por interseccionalidades de gnero, raa, etnia e orientao sexual, por exemplo. Essa diversidade garante a compreenso mais apurada das necessidades em cada localidade e a construo de solues reais em busca da justia social”.

Acesso a recursos

Apesar de terem se destacado como geis e resilientes ao atender as demandas emergenciais que surgiram durante a pandemia, as organizaes de mulheres continuam enfrentando os mesmos desafios de acesso a recursos. De acordo com o levantamento, 94% das organizaes pesquisadas afirmam encontrar dificuldade de financiamento das atividades. Entre os principais entraves, a maioria citou a burocracia e a exigncia de CNPJ.

Para garantir a continuidade dos trabalhos, as organizaes apontam o voluntariado como principal alternativa. Doadores individuais e comercializao de servios e produtos tambm esto entre as fontes de financiamento mais citadas. A analista de Programas do ELAS+ responsvel pela pesquisa, Iracema Souza, chama ateno para o distanciamento entre a maneira como os grupos de mulheres se organizam no Brasil e o universo dos doadores. “Mesmo com a ampla atuao das mulheres, a relevncia do trabalho que feito, a efetiva e rpida atuao em momentos crticos como os vivenciados durante a pandemia, no houve uma mudana expressiva no cenrio dos recursos. Os doadores precisam repensar suas exigncias e formas de doao”.

O levantamento uma atualizao da pesquisa Ativismo e Pandemia no Brasil, coordenada pelo ELAS+ em 2021, e que revelou muitos desafios, mas tambm muita resistncia, inventividade e celeridade dos ativismos feministas durante a pandemia. Agora, Ativismos Feministas e Filantropia Transformativa Po?s-Pandemia analisa como o cenrio ps-calamidade tem influenciado as organizaes lideradas por mulheres no pas. A ntegra dos dois levantamentos est disponvel no site do ELAS+.